Darwinismo

Contexto histórico da teoria de Darwin e Wallace

A teoria evolutiva conhecida por Darwinismo foi proposta por Charles Darwin e, de forma independente, por Alfred Russel Wallace. Darwin publicou-a em 1859, na obra "A Origem das Espécies".

Darwinismo — teoria evolutiva segundo a qual a evolução das espécies ocorre por seleção natural atuando sobre a variação já existente numa população.

Darwin desenvolveu a sua teoria a partir de observações recolhidas durante a viagem de circum-navegação do HMS Beagle (1831-1836). Nas ilhas Galápagos, destacou-se a variação da forma do bico dos tentilhões entre diferentes ilhas, associada a diferentes fontes de alimento disponíveis, e a variação entre as tartarugas gigantes.

A leitura do ensaio de Thomas Malthus sobre população foi decisiva: Malthus notara que as populações humanas crescem mais depressa do que os recursos disponíveis, gerando competição. Darwin — e, independentemente, Wallace — percebeu que o mesmo princípio se aplicava a todas as populações de seres vivos.

Alfred Russel Wallace, a explorar a Amazónia e o arquipélago malaio, chegou a conclusões praticamente idênticas às de Darwin. Em 1858, os dois trabalhos foram apresentados em conjunto à Sociedade Lineana de Londres, e Darwin publicou "A Origem das Espécies" no ano seguinte.

É um erro comum pensar que Darwin desenvolveu a teoria sozinho: Wallace chegou, de forma independente, a uma teoria praticamente idêntica, e ambos apresentaram os seus trabalhos em conjunto.

Darwin usou ainda a seleção artificial praticada por criadores de pombos como analogia, para ilustrar como a seleção pode produzir mudança acumulada ao longo de gerações.

Os princípios em que assenta a seleção natural

Princípios do Darwinismo — conjunto articulado de observações e inferências em que assenta a teoria da seleção natural: variabilidade entre indivíduos, sobreprodução de descendentes, luta pela sobrevivência, reprodução diferencial dos mais bem adaptados e herança das características vantajosas.

Estes princípios estruturam-se habitualmente nas seguintes ideias-chave:

PrincípioIdeia central
VariabilidadeOs indivíduos de uma população apresentam variação hereditária entre si
SobreproduçãoAs populações tendem a produzir mais descendentes do que os recursos do ambiente conseguem sustentar (ideia herdada de Malthus)
Luta pela sobrevivênciaA desproporção entre descendentes produzidos e recursos disponíveis gera competição entre indivíduos
Reprodução diferencialOs indivíduos com características que lhes conferem vantagem num dado ambiente têm maior probabilidade de sobreviver e reproduzir-se
HerançaAs características vantajosas, sendo hereditárias, tornam-se progressivamente mais frequentes na população ao longo de gerações

Este processo cumulativo é a seleção natural.

Um exemplo ilustrativo: numa população de escaravelhos com indivíduos verdes e castanhos, um predador que carece de proteção deteta preferencialmente os verdes numa folhagem castanha. Ao longo de gerações, a proporção de escaravelhos castanhos na população aumenta.

É importante não confundir a seleção natural com um processo intencional: a seleção natural não "fornece" aos organismos as características de que precisam para sobreviver, como se tivesse um objetivo. Ela atua sobre variação genética já existente, gerada ao acaso, favorecendo apenas as combinações que, por acaso, se revelam vantajosas no ambiente em causa.

A seleção natural como mecanismo evolutivo

Seleção natural — processo pelo qual os indivíduos de uma população com características hereditárias mais vantajosas num dado ambiente têm, em média, maior sucesso de sobrevivência e reprodução do que os restantes, levando ao aumento da frequência dessas características na população ao longo de gerações.

A seleção natural não atua sobre o indivíduo isoladamente ao longo da sua vida — o indivíduo não "evolui". Atua sim sobre a composição genética de populações, ao longo de gerações sucessivas. É por isso que se diz que são as populações, e não os organismos individuais, que evoluem.

A seleção natural é o mecanismo central do Darwinismo, e viria a ser reforçada — não substituída — pela genética populacional no Neodarwinismo, que explicou a origem e a transmissão da variação sobre a qual a seleção atua.

Um exemplo atual deste mecanismo é o aumento, ao longo de gerações, da proporção de bactérias resistentes a um antibiótico numa população repetidamente exposta a esse antibiótico.

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